O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou, em agosto de 2026, variação de -0,32%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a menor taxa para o índice desde agosto de 2022 (-0,36%) e a primeira deflação mensal do ano. Com o resultado, o IPCA acumula alta de 3,11% em 2026 e de 4,22% em 12 meses — dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação, que é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

O número chega dias antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, marcada para 15 e 16 de setembro, e reforça as apostas do mercado em um novo corte da Selic.
O que puxou os preços para baixo
O grupo Habitação foi o principal responsável pela deflação, com queda de 1,87% — o menor resultado para um mês de agosto desde o Plano Real, iniciado em 1994. O efeito mais forte veio da energia elétrica residencial, que recuou 7,63% com a aplicação do bônus de Itaipu, mecanismo que repassa aos consumidores o excedente de energia gerado pela usina binacional.
A Alimentação e bebidas também colaborou, com o terceiro mês seguido de deflação (-0,34%), puxada por quedas expressivas em itens como batata-inglesa (-19,89%), cenoura (-11,22%) e tomate (-10,94%). Já em Transportes (-0,86%), o destaque foi a passagem aérea, com recuo de 13,17%, além de quedas nos preços de combustíveis.
Um analista do IBGE ponderou, porém, que o efeito do bônus de Itaipu sobre a energia elétrica é pontual: o índice tende a subir novamente nos próximos meses, quando esse impacto se dissipar.
O que subiu
Nem todos os preços recuaram. O grupo Despesas pessoais teve a maior alta entre os oito grandes grupos pesquisados, de 1,30%, puxado pelo cigarro, que subiu 19,59% — o item de maior impacto individual positivo no índice (0,11 ponto percentual). Vestuário também teve leve alta, de 0,12%.
Selic: um ciclo de cortes que já dura o ano inteiro
O resultado do IPCA se soma a um cenário de flexibilização gradual da política monetária. Depois de manter a Selic em 15% ao ano — o patamar mais alto em quase duas décadas — até março, o Copom iniciou uma sequência de reduções de 0,25 ponto percentual por reunião: para 14,50% em abril, 14,25% em junho e 14,00% em agosto, decisão tomada por unanimidade pelos sete membros do comitê.
Em cada uma dessas reuniões, o colegiado reforçou que o ritmo dos cortes dependeria dos dados de inflação e atividade econômica, mantendo a política monetária em nível contracionista para assegurar a convergência da inflação à meta. Com a deflação de agosto reforçando esse cenário, boletins de mercado (Focus) projetam a Selic encerrando 2026 em 13,75% ao ano, o que sugeriria um novo corte de 0,25 ponto na reunião de 15 e 16 de setembro.
Por que isso importa
Juros mais baixos tendem a baratear o crédito, os financiamentos e as parcelas de dívidas atreladas à Selic, além de estimular investimento e consumo. Por outro lado, o próprio Banco Central tem alertado para riscos de “assimetria altista” na inflação — ou seja, fatores que podem levar os preços a surpreender para cima, como choques climáticos, incertezas fiscais e desancoragem de expectativas.
A deflação de agosto é um dado pontual, puxado por fatores como o bônus de Itaipu, que já é esperado que se reverta nos próximos meses. Ainda assim, o resultado consolida a trajetória de desaceleração da inflação ao longo de 2026 e chega no momento em que o Copom decide os próximos passos da Selic — um indicador que afeta diretamente o custo de vida e o crédito de milhões de brasileiros.




























Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.