A conexão direta entre satélites e celulares comuns deu um passo decisivo no Brasil. A tecnologia dispensa antena externa, chip especial ou aparelho dedicado. Em julho de 2026, a Anatel aprovou faixas de frequência para a tecnologia direct-to-cell, também chamada direct-to-device. Assim, os satélites funcionam como torres de celular no espaço. Os testes de campo seguem até outubro. Enquanto isso, Vivo, Claro e TIM negociam parcerias com empresas de satélite. Porém, o lançamento comercial não deve ocorrer antes de 2027.

Como funciona a conexão entre satélites e celulares
Na tecnologia direct-to-cell, o celular comum se conecta a um satélite a centenas de quilômetros de altitude. Para isso, não precisa de equipamento adicional. A Anatel autorizou faixas que as redes móveis terrestres já utilizam, como 700 MHz, 850 MHz e 900 MHz. Dessa forma, aparelhos em uso podem captar o sinal do espaço. A ideia não é substituir a rede terrestre. As torres de celular continuam tendo prioridade. Por sua vez, o satélite complementa a cobertura onde não há sinal das operadoras.
Na fase inicial, os recursos disponíveis devem se limitar a mensagens de texto, compartilhamento de localização e alertas de emergência. Ligações de voz e internet em banda larga ficam para etapas futuras. Além disso, esses recursos dependem do avanço da tecnologia e da regulamentação.
Vivo, Claro e TIM entram na disputa pelo espaço
Pelas regras da Anatel, empresas de satélite não podem operar sozinhas no Brasil. Elas precisam fechar parceria com uma operadora de telefonia licenciada no país. A Starlink, da SpaceX, está entre as candidatas mais avançadas. Nos Estados Unidos, já opera o serviço com a T-Mobile. Além disso, o Brasil é seu segundo maior mercado de internet via satélite. A empresa soma mais de 1 milhão de assinantes brasileiros na banda larga fixa.
Nesse cenário, a Vivo está mais adiantada nessa frente. A Anatel autorizou testes com a Starlink entre 19 de julho e 22 de outubro de 2026. Os testes usam frequências específicas e até 50 terminais móveis. Claro e TIM também negociam acordos com a SpaceX e outras operadoras de satélites de órbita baixa. A Claro já havia testado o modelo em 2025 com a empresa Lynk, em áreas remotas do Maranhão. Essa experiência ajudou a moldar as regras atuais da agência.
Quando chega ao consumidor — e quanto vai custar
Depois da aprovação das faixas de frequência, a área técnica da Anatel teve até 90 dias para detalhar as regras do serviço. Mas a oferta comercial ainda depende de testes, homologação dos aparelhos e acordos entre as empresas. A expectativa é que modelos de Apple, Motorola e Samsung estejam entre os primeiros compatíveis. Por isso, a própria Anatel não estima lançamento comercial antes de 2027.
As operadoras também ainda não definiram o preço do serviço. Nos Estados Unidos, a T-Mobile oferece o recurso via Starlink por cerca de US$ 10 mensais ou dentro de planos mais caros. Assim, esse modelo pode servir de referência para as operadoras brasileiras. A expectativa inicial é incluir funções básicas, como SMS de emergência, nos planos atuais. No futuro, as empresas poderão cobrar recursos premium à parte.
O público-alvo está nas áreas sem cobertura de celular. Por exemplo, isso inclui regiões rurais, comunidades isoladas, fronteiras e rodovias. Também abrange áreas de mata, operações agrícolas e mineração. Para quem vive ou trabalha nesses locais, a promessa é reduzir o problema do “sem sinal”. Por enquanto, porém, a proposta prioriza funções básicas de emergência e comunicação. Por fim, o consumidor deve acompanhar os testes até outubro. Eles ajudarão a avaliar o serviço antes de qualquer novidade chegar às lojas.
Fontes: Anatel e seu ambiente de testes para conexão entre satélites e celulares; Rio Times; Exame; Mundo Conectado.
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