A corrida presidencial de 2026 tem revelado um nome que entrou oficialmente na disputa apenas em julho: Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e hoje candidato à Presidência pelo Partido Missão, legenda que ele mesmo ajudou a criar. Aos 42 anos, ele concorre pela primeira vez a um cargo eletivo e tenta se firmar como opção de “terceira via”, criticando ao mesmo tempo o governo Lula e o campo bolsonarista.
Renan Santos: do MBL à Presidência

Nascido em 14 de fevereiro de 1984, em São Paulo, Renan Antônio Ferreira dos Santos cursou parte da faculdade de Direito na Universidade de São Paulo, sem concluir o curso, mas já era ativo na política estudantil na época. Ganhou projeção nacional em 2014, quando cofundou o MBL ao lado de nomes como Kim Kataguiri e Fernando Holiday — o movimento organizou os protestos que levaram milhões às ruas em março de 2016 contra o governo Dilma Rousseff. Antes disso, havia passado pelo PSDB, entre 2010 e 2015.
Em outubro de 2023, assumiu a presidência do recém-formado Partido Missão, oficialmente registrado pelo TSE em novembro de 2025 após reunir mais de 500 mil assinaturas de apoio e estruturar diretórios em pelo menos nove estados. Formalizou a candidatura à Presidência em 20 de julho de 2026, com o reservista Aroldo Medina como vice — uma chapa “pura”, sem coligação com outros partidos. Em declaração à Justiça Eleitoral, Santos registrou R$ 795,1 mil em bens.
A plataforma do Partido Missão
O Partido Missão nasceu da estrutura do MBL e combina liberalismo econômico com pautas conservadoras na área de segurança. Entre as propostas de Santos estão: um modelo de combate a facções criminosas inspirado no presidente salvadorenho Nayib Bukele, com presídios de segurança máxima e grandes operações de encarceramento; o fim do Bolsa Família; um programa de “desfavelização” com reconstrução de infraestrutura ao longo de até 30 anos; e a convocação de uma nova Assembleia Constituinte para rever pontos da Constituição de 1988. Ele também defende abrir o debate sobre prisão perpétua e pena de morte para crimes graves, e costuma citar o presidente argentino Javier Milei como referência de redução do Estado.
Onde ele aparece nas pesquisas
Pesquisas recentes colocam Santos na casa de 4% a 7,8% dos votos válidos no primeiro turno, em terceiro lugar nacionalmente, atrás de Lula e Flávio Bolsonaro. Levantamento Indexa/Broadcast de 26 de agosto de 2026 mostrou sua avaliação em cenários de segundo turno contra Lula subindo de 27% para 34% em relação a julho — na região Sul, ele chega a liderar esse cenário, com 48% contra 33% do presidente. Sua rejeição, de 27%, aparece menor que a de Lula e de Flávio Bolsonaro (ambos em torno de 49%, segundo os mesmos levantamentos). O candidato tem desempenho acima da média entre eleitores evangélicos e é a opção mais forte entre jovens de 16 a 24 anos, faixa em que soma 38% das intenções de voto, segundo pesquisa AtlasIntel/Bloomberg de julho de 2026. Analistas políticos citados pela imprensa avaliam a candidatura menos como aposta de vitória imediata e mais como um projeto de consolidação do Partido Missão a médio prazo.
Por que isso importa
A candidatura de Renan Santos marca a tentativa mais organizada, até agora, de transformar o capital político acumulado pelo MBL desde 2014 em um partido e um projeto presidencial próprios. Sua força entre o eleitorado mais jovem e evangélico, somada a uma rejeição comparativamente baixa, o coloca como um fator relevante na disputa pela chamada terceira via — mesmo sem experiência prévia em cargos eletivos. Como em qualquer pesquisa de véspera de eleição, esses números ainda podem mudar bastante até outubro de 2026.
Esta é uma reportagem informativa produzida pelo OnTheNet com base em fontes públicas, sem endosso a candidatos. Propostas e números de pesquisa podem ser atualizados até o dia da eleição.
Fontes: Gazeta do Povo, A Pública, Jota, Terra, Wikipédia (verificação de dados biográficos). Apuração em 14 de setembro de 2026.




























Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.