A 36ª Bienal de São Paulo encerrou em janeiro de 2026 e deixou um dos legados mais celebrados da história recente do evento. De fato, a mostra recebeu o título “Nem Todo Viandante Anda Estradas – Da Humanidade como Prática”. Assim, a curadoria se inspirou em um verso da escritora mineira Conceição Evaristo. A proposta trata a humanidade não como um estado fixo, mas como um verbo em constante construção.
Curadoria e conceito da 36ª Bienal de São Paulo
O curador camaronês Bonaventure Soh Bejeng Ndikung assinou a curadoria geral da mostra. Ele estruturou a exposição em torno da ideia de “escuta como prática” e da metáfora do estuário. O estuário representa o lugar de encontro entre diferentes correntes de água, culturas e histórias. Dessa forma, a equipe organizou a mostra em seis capítulos temáticos, abordando interconexão, resistência, ritmos espaciais, cuidado, transformação e a beleza como forma de resistência política.
A exposição ocupou o Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. A 36ª edição ficou em cartaz entre 6 de setembro de 2025 e 11 de janeiro de 2026. Por sua vez, foi um mês a mais do que o habitual, e a entrada foi gratuita ao público. Também, mais de 130 artistas de diferentes países participaram da mostra. O estúdio berlinense Yukiko assinou a identidade visual, que se inspirou em ondas sonoras polifônicas. Além disso, Gisele de Paula e Tiago Guimarães assinaram a arquitetura expográfica, evocando margens sinuosas e a fluidez de um estuário.
Itinerância nacional e internacional da mostra
Parte da programação recebeu o nome de “Invocações” e se estendeu para além de São Paulo. Ademais, a iniciativa incluiu atividades em cidades como Marrakech, Guadalupe, Zanzibar e Tóquio. Em seguida, a itinerância nacional da mostra passou por Santos, no litoral paulista, entre abril e junho de 2026. A passagem pelo Sesc Santos reuniu nove artistas em torno dos temas de memória, território, deslocamento e resistência. Por fim, essa passagem marcou a terceira vez que a cidade recebe uma itinerância da Bienal, depois das edições de 2011 e 2014.
A Bienal de São Paulo surgiu em 1951 e se tornou uma das mais antigas do mundo depois da de Veneza. Assim, a 36ª edição reforçou o papel da instituição como um dos principais fóruns internacionais de debate sobre arte contemporânea e questões humanas urgentes. Confira outras coberturas de exposições e movimentos artísticos brasileiros na categoria Cultura do OnTheNet.





























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