Poucos pratos carregam a identidade brasileira como o açaí na tigela. Mas antes de virar item obrigatório em academias e praias de todo o país, o açaí já era um alimento central na culinária tradicional do Pará. As populações ribeirinhas da Amazônia consomem o fruto há gerações, especialmente na região de Belém.
Como é o preparo tradicional do açaí no Pará
Na versão paraense original, os paraenses servem o açaí salgado, como prato principal. Eles não o tratam como a sobremesa doce e gelada que o restante do país popularizou. As paraenses extraem o creme roxo da polpa do fruto da palmeira açaizeiro (Euterpe oleracea). Elas batem o creme puro ou com pouquíssimo açúcar. Em seguida, acompanham o prato com peixe frito, camarão seco ou charque. Também acrescentam farinha de mandioca ou de tapioca, que dá liga e textura ao prato. Especialistas em gastronomia regional consideram essa combinação — açaí com peixe frito — o prato símbolo da culinária de Belém do Pará.
Da Amazônia às academias: a popularização do açaí na tigela
Já a versão adocicada, hoje conhecida como açaí na tigela, ganhou fama a partir do Rio de Janeiro nas décadas de 1980 e 1990. Surfistas e praticantes de esportes passaram a consumir o açaí como fonte rápida de energia. Eles batiam o creme com xarope de guaraná ou groselha e cobriam a tigela com granola, banana e outras frutas. Esse formato — servido gelado, em tigelas, com toppings variados — se espalhou pelo Brasil e depois pelo mundo. Assim, deu origem à indústria bilionária de açaí que existe hoje.
O açaí é rico em antioxidantes, gorduras boas e fibras. Hoje, o fruto representa uma das principais fontes de renda para comunidades extrativistas da Amazônia, que dependem da coleta sustentável para o sustento. Em Belém, as famílias ainda consomem açaí no almoço ou no jantar, acompanhado de peixe, como há décadas. Isso mostra que, antes de virar tendência fitness, o açaí sempre foi, antes de tudo, comida de verdade. Mais dados sobre a cadeia produtiva do fruto estão disponíveis no site da Embrapa. Para outras receitas e histórias da culinária brasileira, veja a editoria de Culinária do OnTheNet.





























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