Poucos debates culinários dividem tanto os brasileiros quanto a rivalidade entre a moqueca capixaba e a moqueca baiana. A versão baiana é mais conhecida fora do país. Por outro lado, a moqueca capixaba não leva leite de coco nem azeite de dendê. Segundo o ditado popular no Espírito Santo, essas características definem qual é a “moqueca de verdade”: “Moqueca só capixaba. O resto é peixada”.
A base da receita remonta aos povos indígenas que habitavam o litoral do Espírito Santo antes da colonização portuguesa. Esses povos já preparavam peixe com ingredientes e técnicas locais. Com a chegada dos colonizadores, o prato incorporou novos temperos, mas manteve sua essência simples. Além disso, a receita leva peixe fresco — geralmente robalo, badejo, garoupa ou namorado —, tomate, cebola, alho, coentro, azeite e limão. O urucum entra para dar a cor amarelo-avermelhada característica ao prato.
O resultado é um ensopado mais leve e menos encorpado do que a versão baiana. Porém, essa versão valoriza o sabor natural do peixe, sem o predomínio do dendê ou da cremosidade do coco. Por tradição, as paneleiras de Goiabeiras preparam e servem a moqueca na tradicional panela de barro. Essa comunidade de artesãs fica em Vitória (ES). O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu o ofício dessas artesãs como patrimônio cultural imaterial do Brasil.
Mais do que uma receita, a moqueca capixaba é um símbolo da identidade gastronômica do Espírito Santo. Além disso, o prato está presente em restaurantes tradicionais e mesas de família ao longo de toda a costa capixaba. Assim, ele carrega, ao mesmo tempo, herança indígena, influência portuguesa e a marca registrada das panelas de barro de Goiabeiras.





























Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.