Nas últimas semanas, corpos encontrados em sacos plásticos, cobertores e lençóis em diferentes pontos da capital paulista alimentaram boatos nas redes sociais de que um serial killer estaria em ação em São Paulo. A Polícia Civil e a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmam que não há provas disso e que cada caso é investigado separadamente.

O que se sabe até agora
Desde 5 de setembro, vários corpos foram encontrados em bairros das zonas leste, sul, norte e oeste da capital. Algumas vítimas estavam amarradas ou envoltas em sacos plásticos e tecidos; em um dos casos, a cabeça foi achada a cerca de 21 km do restante do corpo, em Itapecerica da Serra. Segundo o SBT News, houve ocorrências também em São Bernardo do Campo.
O número exato varia conforme o critério de cada levantamento: em 7 de outubro, o DHPP falava em ao menos oito mortes; reportagem do Diário ESP, com base em informações da Polícia Civil, contabiliza 12 mortes violentas em 47 dias; a Jovem Pan fala em 14 corpos em 48 dias. Nem todos os casos foram confirmados como relacionados entre si.
Por que a polícia descarta um serial killer
Em 7 de outubro, a delegada Ivalda Aleixo, diretora do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou que as mortes têm características semelhantes, mas que isso não basta para concluir que foram cometidas pela mesma pessoa. Ela explicou que embalar corpos em sacos ou tecidos é uma prática conhecida do universo criminal para transportar e esconder cadáveres e pediu que a população não espalhe o boato, já que o medo pode prejudicar famílias que ainda aguardam notícias de parentes desaparecidos.
O Núcleo de Perfilamento Criminal do DHPP compara os casos e verifica possíveis ligações geográficas, sem ter encontrado, até agora, prova de um autor único. A SSP reforça que os casos têm dinâmicas, locais e métodos diferentes.
As linhas de investigação
A principal hipótese é de execuções ligadas ao crime organizado. A delegada citou o relato de uma família segundo o qual um parente teria sido “arrebatado” e colocado em um carro, o que, na avaliação dela, é característico do chamado “tribunal do crime”. A SSP também investiga vingança e “justiçamento”, mas não confirma ligação com facção criminosa. Segundo o Diário ESP, a Justiça determinou a prisão de três pessoas ligadas a alguns dos casos, e a investigação corre sob sigilo.
Os casos mais recentes
- 21/10, Tremembé (zona norte): um homem de 43 anos foi achado morto em área de mata, em estado avançado de decomposição. Ele estava desaparecido desde 16/10. O caso foi registrado como homicídio.
- 21/10, Marginal Tietê (zona norte): policiais militares em patrulha foram recebidos a tiros por dois homens; um suspeito morreu e o outro fugiu. Nas proximidades, foram encontrados restos mortais de uma mulher. Segundo a CNN Brasil, não há informação confirmada de ligação entre os casos. O caso está com o DHPP e a PM abrirá inquérito sobre a ação.
- 22/10, margens do Rio Tietê (zona oeste): um corpo foi encontrado sem identificação e sem sinais de violência, registrado como morte suspeita. Exames periciais foram solicitados.
O que ainda não se sabe
Ainda faltam a identificação de algumas vítimas, a causa de várias mortes e a confirmação de quais casos, se algum, têm ligação entre si. A polícia orienta que familiares de pessoas desaparecidas registrem boletim de ocorrência imediatamente na delegacia mais próxima, e que informações possam ser enviadas de forma anônima ao Disque Denúncia (181).
O OnTheNet acompanha o caso e atualizará esta matéria conforme novas informações forem confirmadas oficialmente. As informações são de 22 de outubro de 2026.




























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